Um hábito comum entre os brasileiros, a automedicação pode acarretar consequências graves para quem faz uso abusivo ou incorreto de medicamentos. 

Quem nunca tomou um remédio sem prescrição médica para curar um resfriado, uma dor muscular, de garganta ou de cabeça? A automedicação é um hábito muito comum entre os brasileiros, principalmente com antibióticos, anti-inflamatórios e ansiolíticos. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Ciência Tecnologia e Qualidade (ICTQ), quase 80% dos brasileiros tem o costume de se automedicar.

Em algumas ocasiões, esta parece uma solução mais fácil, atraente e prática – já que, muitas vezes, não precisa nem sair de casa para adquirir um remédio –, porém pode trazer consequências, especialmente quando os sintomas persistem e continuamos a tomar os medicamentos por conta própria. “Neste caso, podemos estar mascarando doenças graves, provocando efeitos indesejáveis graves, como lesões hepáticas e renais, enjoos, diarreia, tonturas, e até mesmo desencadeando reações alérgicas”, alertou a farmacêutica do São Bernardo Apart Hospital, Kelly Cunha Folador.

Além disso, o uso de remédios de maneira incorreta pode trazer ainda implicações, tais como: reações alérgicas, dependência – como nos casos de uso inadequado de psicotrópicos – e até a morte. De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 2008 a 2013 – período de cinco anos –, houve quase 60 mil internações por intoxicação medicamentosa. “No hospital já atendemos casos deste tipo, sendo que a maioria deles de intoxicação por benzodiazepínicos”, contou a farmacêutica.

É preciso destacar que a dor é sinal de que há algo mais grave, que será necessário o acompanhamento de um profissional. Por isso, quando os sintomas persistem, o ideal é procurar um médico para que o problema seja diagnosticado e o tratamento correto seja seguido.

Para combater esse mau hábito, é importante um trabalho de conscientização com a população. As pessoas têm de conhecer os riscos relacionados aos medicamentos e os efeitos de uma substância antes de ingeri-la. Em caso do uso de antibióticos sem prescrição, a atenção deve ser redobrada, pois o uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência de microorganismos e comprometer a eficácia do tratamento. A combinação de alguns medicamentos também podem causar problemas graves como uma parada cardíaca, por exemplo, quando misturados um anti-inflamatório e um descongestionante nasal.

Sempre que for comprar um medicamento, o ideal é procurar o farmacêutico responsável para informar-se a respeito da dose, posologia, período de administração, associações, possíveis efeitos colaterais e restrições de uso. Ele é o profissional habilitado para esclarecer tais informações e de fácil acesso, pois todas as farmácias e drogarias possuem um farmacêutico responsável”, ressaltou Kelly.

Texto by Letícia Passos

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