Woman with angry facial expression

Acontecimentos do dia a dia, crise econômica, estresse e ansiedade podem contribuir para o aparecimento do bruxismo, uma disfunção que já afeta cerca de 30% da população mundial

Com o ritmo de vida corrido de hoje em dia, as pessoas estão cada vez mais ansiosas e estressadas. Para alguns, uma boa noite de sono ou um final de semana relaxante pode resolver temporariamente o problema, mas, para outros, pode ser sinal de desenvolvimento de um problema de saúde, como o bruxismo.

O cirurgião buco maxilo facial Francisco Quintão, explica que a tensão provocada pelo estresse ou ansiedade do dia a dia pode impedir que algumas doenças bucais se recuperem e pode ajudar no aparecimento de outras, como é o caso do bruxismo. “Esta disfunção cresceu nos últimos anos principalmente por causa do estresse, da ansiedade e da depressão, ou seja, devido à perda da qualidade de vida. A preocupação das pessoas com crise econômica, aumento do desemprego, perda da estabilidade financeira, desencadeou um aumento dos pacientes nos consultórios, apresentando dores de ouvido e no rosto, cansaço mastigatório, além da cefaleia, sintomas comuns do bruxismo”, destacou.

Caracterizado por desgastes dentários associados a dor na face, cefaleias, dores na nuca e até nas costas (região cervical), o bruxismo é o hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes, principalmente durante o sono. É uma desordem funcional denominada Disfunção Temporomandibular que acomete, em sua maioria, mulheres a partir de 30 anos de idade, podendo ser causada por distúrbios psicossociais, ou seja, ansiedade, estresse e/ou depressão, traumas nas regiões articulares ou mandibulares, ou por deformidade dentoesquelética, posicionamento dentário nas arcadas.

Por poder acarretar na perda total dos dentes devido ao seu desgaste, o problema deve ser resolvido o quanto antes. O tratamento varia pelo tempo em que o paciente está com os sinais de desgastes e/ou sintomas, como as dores de caráter muscular (dores na face, dor de ouvido, dor de cabeça, desgastes dentários, cansaço mastigatório) ou articular (estalos na articulação, sensação de areia na articulação, deslocamento mandibular, limitação de abertura da boca, travamento da boca).

O tratamento da disfunção temporomandibular muscular baseia-se na reabilitação dentária, uso de dispositivos interoclusais para minimizar os desgastes dentários e desprogramação da musculatura da mastigação, tratamento com relaxantes musculares e anti-inflamatórios e, em alguns casos, cirurgias para correção de deformidade dento esquelética. Em situações mais severas, o paciente deverá ser acompanhado por psicólogos, psiquiatras e neurologistas. Já o tratamento da disfunção temporomandibular articular se iniciará igual ao muscular, mas dependendo do tempo de disfunção, deverá ser associado a procedimentos cirúrgicos para melhores resultados”, explicou o especialista.

Em algumas ocasiões, a prática de atividades físicas e o acompanhamento psicológico podem ajudar a deixar a pessoa menos estressada e a ter uma noite de sono mais tranquila, evitando o surgimento do bruxismo.