Pinças, brocas, alicates, seringas e agulhas. À primeira vista, todos esses instrumentos e materiais não parecem oferecer bons prenúncios. Talvez por isso, ir ao dentista seja uma daquelas tarefas que, se fosse possível deixaríamos de fazer.

É porque para muitas pessoas ir ao dentista se tornou uma verdadeira fobia. Na maioria das vezes o sofrimento começa antes mesmo de a pessoa entrar no consultório.  E o caso é sério. Pesquisas apontam que quase 50% da população vão ao dentista com certa dose de ansiedade e medo.

O dado mais preocupante é o que diz respeito aos odontofóbicos, aqueles que nem cogitam marcar uma hora com esse profissional. Essas pessoas representam 10% da população. Existem casos de pacientes que chegam a ir até a porta do consultório, mas dão meia-volta.

O medo é um dos principais motivos que afastam os pacientes dos tratamentos dentários”, afirma o dentista Rommel Puppin. Segundo ele, mais de 40% daqueles que, embora tenham acesso aos tratamentos odontológicos, não se submetem a essa terapêutica periodicamente, reconhecem que o principal motivo dessa atitude é o medo do dentista.

Patient

Diversos fatores levam a este medo, normalmente relacionado a alguma experiência ou a própria natureza da pessoa, como não suportar barulho dos motores. O ambiente e a proximidade visto que o dentista trabalha intimamente ao paciente que acaba participando do procedimento que está sendo realizado.

As consequências são relevantes: uma pesquisa norueguesa publicada na revista Community Dentistry and Oral Epidemiology analisou o impacto da odontofobia na saúde bucal. O quadro é desencorajador: pessoas que sofrem com o problema apresentam incidência de cáries, placas de tártaro, patologias gengivais, perda de dentes e abscessos de forma nitidamente superior à média.

Outra coisa muito comum quando falamos sobre tratamentos dentários é a reação das crianças. A maioria fica assustada na primeira consulta. O ideal é sempre conversar com o seu filho mostrando, desde a primeira infância, a importância da saúde bucal. O ideal é sempre estimular a escovação buscando profissionais habilitados, e o mais importante é nunca colocar medo na criança.

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Segundo o dentista Gerson Braga, a criança deve ir ao dentista para a primeira consulta por volta dos 3 anos e retornar a cada seis meses, mesmo que não haja problemas. Dessa maneira, eles se familiarizam com o consultório dentário, e na eventualidade de ser necessária alguma intervenção, a criança vai estar em uma situação de conforto e confiança.

Geralmente as características de pessoas que tem odontofobia são: suores abundantes, taquicardia, aumento da salivação aumento ou queda de pressão arterial. Muitos não conseguem dormir em véspera de uma ida ao dentista , palidez e, às vezes, desmaio na cadeira.

Justamente por isso é tão importante que seja estabelecida entre o dentista e o paciente uma relação de profunda confiança. “Portanto, não é exagero que, para tratar pessoas fóbicas, o profissional use mais da metade do tempo da consulta apenas para conversar e estabelecer um clima de tranquilidade e confiança, é fundamental ‘sentir e respeitar’ o paciente”, afirma Braga.